domingo, 31 de maio de 2015

EM DEFESA DA EXPIAÇÃO LIMITADA E UMA REFUTAÇÃO AO TEXTO DE ZWINGLIO RODRIGUES – ANÁLISE DE 1 JOÃO 2.2 E 1 TIMÓTEO 2.4




As controvérsias teológicas são importantes porque elas nos fazem ver os lados obscuros que determinado teólogo não demonstrou. Seja por falta de conhecimento, que, nesse caso, seriam de Hermenêutica e Exegese, seja por desonestidade intelectual vindo de uma defesa apaixonada por determinado assunto, seja por não querer se aprofundar no outro lado da questão.
O texto da revista Obreiro Aprovado, ano 36, nº 68 de autoria do Pr. Silas Daniel trouxe uma resposta do renomado teólogo batista Franklin Ferreira demonstrando as falhas históricas, teológicas e exegéticas desse autor (veja aqui).
Como resposta ao teólogo Franklin Ferreira, um teólogo arminiano chamado Zwinglio Rodrigues, cujo blog dedica-se a escrever e defender essa doutrina, tenta refutá-lo com o tema “Comentários e respostas à crítica de Franklin Ferreira ao artigo ‘Em Defesa do Arminianismo”.
A resposta do teólogo no blog me causou admiração por vários motivos. Primeiro, pela frase de Tomás de Aquino no blog ao lado: “Para mim, tudo que escrevi parece palha”. Na verdade, essa frase me livrou de dar algum parecer sobre o seu texto, senão, de apenas concordar com essa frase no seu blog.
Depois, admirei-me também pela falta de referências, sendo que estava trazendo uma refutação histórica, teológica e exegética a uma refutação de um teólogo. O que impressiona mais ainda é que o autor se justifica por afirmar que o seu texto era apenas informal. No entanto, não se trata de formalidade ou informalidade, mas de credibilidade das citações, mesmo que sejam informais. O próprio Franklin Ferreira, apesar de ter postado em seu Facebook, não deixou de colocar referências, mesmo de uma maneira informal. Demonstra-se, com isso, que o autor tem uma debilidade muito grande em perceber esse aspecto.
O outro motivo que me impressionou foi o simplismo e a superficialidade dos argumentos exegéticos desse autor (com todo respeito). O autor critica a frase de Franklim Ferreira que afirmou: “exegese, exegese e mais exegese” e, pareceu-me, que o autor, com isso, quis mostrar que ele, sim, a partir daquele texto, faria uma exegese. Ele escreve:

Ferreira crítica Daniel por apresentar textos-prova para suas afirmações e não oferecer nenhuma discussão léxical e/ou exegética. Não vou entrar no mérito da reprimenda. Mas, entendendo (acredito que Daniel também) a importância de uma abordagem exegética dos textos bíblicos, conforme destaca Ferreira. Por isso, desejo apresentar aqui duas referências bíblicas pinçadas do artigo de Daniel que atestam a doutrina da expiação ilimitada, uma doutrina cara ao arminianismo clássico.


Tais escrituras não serão dadas apenas como textos dos quais se presume a expiação ilimitada, mas sofrerão uma análise exegética e lexical.

O autor citou dois textos-chave para a doutrina arminiana que nega a expiação limitada. Com isso, ele deu a entender que a partir daquele momento iria fazer uma exegese começando por 1 Timóteo 2.4. Porém, parece que o autor não sabe o que é exegese, pois, para a sua exegese de 1 Timóteo 2.4, ele simplesmente cita a opinião de Charles Spurgeon. Isso mesmo: apenas a opinião de Spurgeon. Se ele trouxesse a exegese de Spurgeon, seria mais compreensivo. No entanto, o autor traz apenas a sua opinião.
Esse tipo de argumento faz parte de uma falácia chamada “falácia da autoridade”. Essa falácia demonstra que o argumento está apenas baseado na opinião de uma autoridade e nenhum argumento lógico é desenvolvido para demonstrar o contrário.
A base exegética de Spurgeon do texto é apenas superficial da expressão “todos os homens” sem nenhuma exegese do texto em questão e o autor Zwinglio apenas o reproduz sem desenvolver absolutamente nada e sem dar nenhuma referência.
No entanto, o problema da falácia da autoridade é que, se o autor se baseia apenas na autoridade da pessoa que usou como base, ele também deve aceitar outras afirmações do mesmo autor, já que ele o tem como base de argumento, inclusive da mesma área que é a Soteriologia. Então, vamos ver o que Charles Spurgeon pregou e escreveu sobre o assunto. Afinal de contas se Spurgeon está certo na sua interpretação de 1Tm 2.4, por que não estaria nas demais, já que não houve argumento por parte do autor? Vejamos o que Spurgeon pregava e escrevia, pois esses textos vêm de suas pregações.

1. Sobre o livre-arbítrio:

Já foi provado além de toda controvérsia que o livre-arbítrio é uma tolice. A liberdade não pode pertencer ao arbítrio como a ponderação não pode pertencer à eletricidade. Podemos crer em um agente livre, porém, o livre-arbítrio é simplesmente ridículo. É bem conhecido de todos que a vontade é dirigida pelo entendimento, movida por motivos, conduzida por outros componentes da alma e considerada como algo secundário.


Tanto a filosofia como a religião descartam de uma vez a ideia de livre-arbítrio: e eu vou tão longe quanto Martinho Lutero, em sua forte afirmação, onde ele diz: “se algum homem, de alguma maneira, atribuir a salvação ao livre-arbítrio do homem – mesmo a ínfima parte – nada sabe sobre a graça e não conheceu Jesus Cristo corretamente” (SPURGEON, 1994, p. 1-2).

2. Sobre a Eleição e predestinação:

Spurgeon cita e concorda com a antiga confissão Batista:

Abro agora este antigo livro, e encontro o seguinte terceiro artigo:


“Por decreto de Deus, tendo em vista a manifestação de sua glória, alguns homens e anjos foram predestinados ou ordenados de antemão para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, para o louvor de sua gloriosa graça; e, quanto aos demais, foi-lhes permitido continuarem em seus pecados, tendo em vista a sua justa condenação, para o louvor da gloriosa justiça divina. Esses anjos e homens, assim predestinados ordenados com antecedência, foram particular e imutavelmente designados, e o seu número foi determinado de maneira tão certa e definida com esse total não pode ser nem aumentado e nem diminuído. No caso daqueles membros da humanidade que foram predestinados para a vida, Deus, antes de serem lançados os fundamentos do mundo e conformidade com o seu eterno e imutável propósito, bem como de acordo com o secreto conselho e beneplácito de sua vontade, escolheu em Cristo, para a glória eterna e com base em sua pura graça gratuita e em seu amor, sem que houvesse qualquer outra consideração na criatura como condição ou causa que OU tivesse impelido a isso, aqueles a quem assim o quis”.


Não obstante, no que concerne a esses testemunhos humanos autoritativos, não me importa sequer com eles. Não me interessa o que esses testemunhos afirmam em favor ou contra a doutrina da eleição. Tão somente lancei mão deles como uma espécie de confirmação para a vossa fé, afim de mostrar a vocês que, embora eu possa ser acusado de um herege ou de um hipercalvinista, em última análise, o testemunho mesmo da antiguidade está me prestando o seu apoio (SPURGEON, 1994, P. 8-9).

3. Sobre a perseverança dos santos

Demais disso, quero que vocês se lembrem que hoje somos vistos por Deus da mesma maneira como sempre éramos vistos. Ele já nos viu desde o princípio, sujeitos ao pecados, caídos e depravados, e mesmo assim prometeu fazer-nos o bem.


Ele me viu arruinado pela queda,
No entanto, me amou, apesar de tudo.

E se hoje sou pecaminoso, se hoje preciso gemer por causa da minha natureza maligna, simplesmente estou onde eu estava quando ele me escolheu, e me chamou, e me redimiu pelo sangue de seu Filho. “porque Cristo, quando ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5.6). Éramos objetos não-merecedores da sua misericórdia a qual ele nos outorgou somente pelo motivo que estava dentro de sua própria natureza; e se continuarmos não merecendo, segue se que sua graça continua sendo a mesma. Se for assim, que ele ainda lida conosco através da graça, fica evidente que ainda nos vê como não-merecedores. E porque ele não iria fazer o bem a nós conforme fez de início? Certamente, se a fonte é a mesma, a corrente continuará fluir. (SPURGEON, 1994, p. 12-13)

Esses textos de Spurgeon expostos são para demonstrar, apenas, que ele é uma das pessoas que um Arminiano jamais deveria fazer referência para defender o Arminianismo, e muito menos usando a falácia da autoridade baseado nele.
No entanto, a última palavra nunca será do homem, mas será sempre da Escritura. Da mesma forma que, antes de Spurgeon, Calvino já defendia nas suas Institutas que o “todos os homens” de 1Tm 2.4 se referia a grupos de homens como no contexto do verso primeiro (Institutas, Livro III, p. 442). Portanto, precisamos analisar as Escrituras dando motivos exegéticos e lógicos por que eles estariam certos e não somente devemos nos basear em seus argumentos.

Interpretação de 1Timóteo 2.4

1 Timothy 2:4   o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

ος παντας ανθρωπους θελει σωθηναι και εις επιγνωσιν αληθειας ελθειν

Calvino usa uma lógica exegética perfeita, pois a expressão παντας ανθρωπους traduzida para “todos os homens” deve ser interpretada dentro do mesmo contexto que o verso primeiro:

1 Timothy 2:1-2  Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens,  2 em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito.
παρακαλω ουν πρωτον παντων ποιεισθαι δεησεις προσευχας εντευξεις ευχαριστιας υπερ παντων ανθρωπων

Paulo exorta que façam súplicas e orações por todos os homens υπερ παντων ανθρωπων. Com certeza, esse “todos os homens” não se refere cada homem da face da terra, pois seria uma ordenança impossível. O sentido é que a Igreja ore também pelos reis e aqueles que estão investidos de autoridades (v.2). O que Paulo está ordenando é que a igreja se dedicasse a orar pelos imperadores e reis que eram ímpios, inclusive sendo a causa da prisão de Paulo cuja prisão veio pela ordem destes governantes.
O que Paulo afirma no verso quatro é a conclusão que vinha defendendo nos versos anteriores que Deus quer que todos os homens sejam salvos, ou seja, todas as classes, incluindo reis, imperadores, escravos, homens mulheres, crianças, pois os judeus faziam acepção de pessoas influenciando a igreja no primeiro século.

Galatians 3:28-29  28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.  29 E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.

1 Peter 1:17  17 Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação,

Portanto, Calvino está com razão em fazer a sua exegese diante da análise acima demonstrada.

Com respeito ao segundo texto, o autor seguiu alguns passos exegéticos e, por isso, eu me dedicarei mais a esse texto. Primeiro porque ele é um texto de difícil interpretação que exigirá um conhecimento mais exegético. Depois, pretendo demonstrar que a análise do autor Zwinglio do texto de 1Jo 2.2 está cheia de dificuldades exegéticas.

Análise da palavra ὅλου

A palavra ὅλος quer dizer “inteiro, completo, todo”. O autor está correto em citar os eruditos que traduzem essa palavra. No entanto, essa palavra, assim como os pronomes indefinidos “todo, tudo”, deve ser interpretada segundo o seu contexto, pois, caso contrário, pode-se ter uma grande distorção.
Por exemplo:

Acts 10:22  22 Então, disseram: O centurião Cornélio, homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica, foi instruído por um santo anjo para chamar-te a sua casa e ouvir as tuas palavras.

οι δε ειπον κορνηλιος εκατονταρχης ανηρ δικαιος και φοβουμενος τον θεον μαρτυρουμενος τε υπο ολου του εθνους των ιουδαιων εχρηματισθη υπο αγγελου αγιου μεταπεμψασθαι σε εις τον οικον αυτου και ακουσαι ρηματα παρα σου

Lucas usa o mesmo adjetivo ὅλου que a RA traduziu como “toda a nação judaica” - υπο ὅλου του εθνους των ιουδαιων εχρηματισθη
Ninguém, em uma sã consciência, iria entender que Lucas estivesse afirmando que toda a nação de Israel incluindo cada pessoa que habitava na região de Israel e em todos os tempos conheciam Cornélio. Isso seria um absurdo! No entanto, o texto deixa claro que ele era conhecido por toda ὅλου a nação de judeus. Pelo contexto, deve-se entender que Cornélio era conhecido pelos judeus da sua região, pois o próprio Pedro seria excluído desse adjetivo porque ele não o conhecia.
Depois, o autor Zwinglio usa o texto de 1Jo 5.19 para defender que a interpretação de “mundo inteiro” significa cada pessoa do mundo e não somente os eleitos.

1 John 5:19  19 Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

οιδαμεν οτι εκ του θεου εσμεν και ο κοσμος ολος εν τω πονηρω κειται

O autor usou um princípio hermenêutico correto, pois ele buscou a análise da palavra no mesmo livro, citando a base disso o Rev. Augustus Nicodemus que é uma autoridade em Hermenêutica.
No entanto, dificilmente o Dr. Augustus Nicodemus concordaria com a sua análise no verso em si. O autor acertou no princípio de interpretação, mas errou em outros no próprio verso.
Primeiro, o autor acertou em demonstrar que a expressão ο κοσμος ὅλος se refere a pessoas e não ao sistema maligno. Pode-se perceber isso pelo contexto do verso 18 que está falando de pessoas, daqueles que não vivem pecando e que guardam a si mesmo, e o Maligno não lhe toca. Portanto, está correta a interpretação que se refere a pessoas.
No entanto, se o autor interpretar a expressão ο κοσμος ολος como incluindo todas as pessoas sem exceção, o autor tem que admitir que ele mesmo jaz no maligno, ou seja, ele está nas mãos do maligno, pois segundo a sua interpretação, a expressão precisa ter o mesmo significado que 1Jo 2.2. Caso contrário, a sua citação e argumentação não tem sentido.
Precisamos notar que autor não usou o princípio Hermenêutico que ele mesmo defende para a sua análise de 1Jo 5.19, pois fica claro que a expressão ο κοσμος ολος se refere somente aos incrédulos, pois João, no verso 18, afirma que o Maligno não os toca e ele começa o verso 19 afirmando “sabemos que somos de Deus” οιδαμεν οτι εκ του θεου εσμεν. Essa expressão tem a preposição εκ que significa “sair” demonstrando que se refere àqueles que nasceram de Deus, porém, o mundo, ou seja, os incrédulos estão nas mãos do Maligno.
Portanto, a análise do autor de que a expressão ολου του κοσμου significa todas as pessoas sem exceção é completamente deficiente e digna de total rejeição pelos motivos hermenêuticos e exegéticos apresentados acima.
Mas afinal de contas, o que João queria falar no verso e o que significa a expressão ολου του κοσμου?

A Interpretação de 1 João 2.2

και αυτος ιλασμος εστιν περι των αμαρτιων ημων ου περι των ημετερων δε μονον αλλα και περι ολου του κοσμου

Primeiro, precisamos analisar o que significa a palavra grega ἱλασμος traduzida para “propiciação”. No VT, na tradução da LXX, essa palavra referia-se ao perdão usando um sacrifício de um animal no lugar do pecador. No entanto, era somente para Israel e não para todas as nações.

Leviticus 25:2  2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, então, a terra guardará um sábado ao SENHOR.
Leviticus 25:9   9 Então, no mês sétimo, aos dez do mês, farás passar a trombeta vibrante; no Dia da Expiação, fareis passar a trombeta por toda a vossa terra.

Com respeito à palavra derivada, ἱλαστηριον, traduzida para “propiciatório”, o lugar onde era feito a propiciação, e usada como a tampa da arca onde ficavam os querubins entre os quais o Senhor falava com Moisés, referindo-se também para Cristo, demonstrava-se que era somente para os Filhos de Israel e não para todas as pessoas.

Exodus 25:22   22 Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.

O apóstolo aos Hebreus desenvolve de uma forma mais clara quando escreve aplicando somente à Igreja:

Hebrews 9:5-6  5 e sobre ela, os querubins de glória, que, com a sua sombra, cobriam o propiciatório (ἱλαστηριον). Dessas coisas, todavia, não falaremos, agora, pormenorizadamente.  6 Ora, depois de tudo isto assim preparado, continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes, para realizar os serviços sagrados;
Hebrews 9:14-15  14 muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!  15 Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.

O apóstolo deixa bem claro que a promessa da remissão no contexto da propiciação e da expiação em Cristo Jesus que é o “Mediador da Nova Aliança” διαθηκης καινης μεσιτης e o propiciatório e propiciação (Rm 3.25) é somente para “aqueles que têm sido chamados” οι κεκλημενοι της αιωνιου κληρονομιας.
O apóstolo usa o verbo grego καλεω / “chamar” no particípio perfeito passivo para demonstrar mais ainda a força do seu argumento da escolha soberana de Deus.

O contexto da Epístola

Antes de analisarmos o contexto imediato do texto falado. É necessário saber o contexto histórico no qual a epístola foi escrita para entendermos porque João fez algumas exortações, inclusive o verso 2 do capítulo 2.
João estava escrevendo a sua epístola defendendo contra os falsos mestres gnósticos que afirmavam que a salvação vinha de um conhecimento oculto que era revelado somente aos poucos iniciados. Eles negavam a encarnação de Cristo, pois diziam que a matéria era má e a carne era pecaminosa. Por causa disso, os mestres com influência gnóstica que entraram na igreja pregavam que a salvação era somente aos poucos iniciados na igreja e não a todos os grupos em todos os lugares, sendo somente a um grupo fechado.
John Stott, em seu comentário sobre a primeira epístola de João quando fala sobre o gnosticismo escreve:

Uma terceira característica dos gnósticos, Cerinto sem dúvida incluído, parece que era a sua falta de amor. Pretendendo constituir uma aristocracia espiritual dos iluminados que, só eles tinham vindo a conhecer “as profundezas”. Desprezavam a carreira comum dos cristãos. João golpeia essa perigosa maneira de ver afirmando que não existem duas categorias de cristãos, os iluminados e os não, pois Deus é luz continuadamente se revelando a todos [os cristãos](ênfase minha). (STOTT, 1985, P. 43)

Simon Kistemaker, em seu comentário de primeira João, também demonstra essa perspectiva histórica quando fala do gnosticismo. Ele escreve:

Em primeiro lugar, os gnósticos exaltavam a aquisição de conhecimento, pois, a seu ver, o conhecimento era o fim de todas as coisas. Por causa de seu conhecimento, tinham uma compreensão diferente das Escrituras, e, por causa dessa compreensão, separavam-se dos cristãos que não haviam sido iniciados. (KISTEMAKER, 2006, p. 285)

Nesse contexto é que entendemos a advertência de João que não seria somente aos cristãos da igreja, mas a todos os demais que Deus chamasse como o autor aos Hebreus escreveu (Hb 9.15).

Contexto Imediato (1Jo 2.1-2)

τεκνια μου ταυτα γραφω υμιν ινα μη αμαρτητε και εαν τις αμαρτη παρακλητον εχομεν προς τον πατερα ιησουν χριστον δικαιον
 και αυτος ιλασμος εστιν περι των αμαρτιων ημων ου περι των ημετερων δε μονον αλλα και περι ολου του κοσμου

Precisamos Analisar que o verso 2 vem do contexto e da lógica do verso primeiro, pois começa com a conjunção coordenada και demonstrando que os versos estão ligados e coordenados. João começa explicando do verso primeiro o seu objetivo que era trazer uma profunda sensibilidade ao pecado, pois os verbos ἁμαρτανω estão no aoristo. Essa sensibilidade deve nos trazer uma profunda consciência de um advogado perante o Pai que é Jesus Cristo, o Justo - παρακλητον εχομεν προς τον πατερα ιησουν χριστον δικαιον.
Nenhum arminiano se aventuraria a dizer que esse “nós temos um advogado perante o Pai” incluiria incrédulos. Portanto, pelo contexto do verso primeiro, João continua seu argumento falando apenas da igreja para afirmar que esse Jesus é a propiciação não somente dos “iniciados” como os mestres gnósticos ensinavam, porém, ele é a propiciação da igreja, composta de gentios e judeus, como também todos os eleitos que ainda iriam crer em Cristo.
Por isso, João escreve de uma forma semelhante e mais detalhada:

1 John 4:10   10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

εν τουτω εστιν η αγαπη ουχ οτι ημεις ηγαπησαμεν τον θεον αλλ οτι αυτος ηγαπησεν ημας και απεστειλεν τον υιον αυτου ιλασμον περι των αμαρτιων ημων

Dessa vez, João especifica somente a Igreja, pois ele afirma sempre os pronomes na primeira pessoa do plural demonstrando que se referia somente a ela. Ele amou a sua igreja enviando seu Filho como propiciação com respeito aos “nossos pecados” - περι των αμαρτιων ημων.

Conclusão

Precisamos perceber que esses versos não são nenhuma ponte intransponível à doutrina da Expiação Limitada, demonstrada pelos apóstolos e reformadores. Ao contrário, eles se completam em demonstrar que a eleição não se limita a um grupo, nem aos “iniciados”, mas a todos a quem nosso Deus chamar (At 2.39). Por isso, meu objetivo foi exatamente demonstrar que As Escrituras demonstram que a expiação limitada é mais aceitável dentro de uma exegese e Hermenêutica que levem em conta todos os seus aspectos.
Não tive a intenção de falar especificamente da expiação limitada, pois há muitos versos que demonstram de uma forma clara que Cristo morreu pelos seus eleitos que estão guardados no plano secreto e eterno de Deus. No entanto, os textos bíblicos demonstram que os reformadores estavam corretos em rejeitar a doutrina Arminiana diante das debilidades exegéticas e textuais.
Portanto, precisamos pregar e ensinar sem nenhum medo que Deus é totalmente soberano, pois Deus prestará contas com todos aqueles que negligenciaram “todo o seu conselho”. 

REFERÊNCIAS

SPURGEON, C. H. Livre-arbítrio - Um Escravo. São Paulo: PES, 1994.
SPURGEON, C. H. Eleição. São Paulo: Editora Fiel, 1987
SPURGEON, C. H. A Perseverança na Santidade. São Paulo: PES, 1994.
STOTT, John R. I, II e III João - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1985.
KISTEMAKER, Simon. Tiago e Epístolas de João. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.




11 comentários:

  1. Olá!

    Você escreveu que o Zwinglio mencionou Spurgeon como falácia de autoridade, mas não consentiu que Spurgeon quis realmente ser coerente com as Escrituras ao não ver em 1 Tm 2:4 uma expiação limitada, mas sim, ilimitada. Depois cita os textos de Spurgeon atacando o livre-arbítrio. Lógico que se sabe que Spurgeon atacava o arminianismo (mais a caricatura do arminainismo). Sendo assim, você cita Calvino supostamente defendendo a expiação limitada, enquanto que Calvino defendia a expiação ilimitada. A não ser que a citação seguinte dele esteja adulterada: "Nosso Senhor sofreu por todos, e não há nem grande nem pequeno que não esteja sem desculpas hoje, [...] porque Ele não olhou para a justiça, para a integridade e para a perfeição que estava em Jesus Cristo, mas, ao invés, o tomou como estando ali no lugar de todos os pecadores”. (João Calvino, comentando Isaias 52:12 e 53:4-6)

    Sua explicação de 1 Jo 4:10 abordando que João quis dizer que Deus só ama a igreja não condiz com Jo 3:16 e 1 Jo 2:2. Se você interpreta que o "nós" se refere que Deus amou só a igreja, na capítulo 2 e verso 2 da própria carta em questão João afirma que Cristo é a propiciação não só dos "nossos" (1º pessoa do plural, assim como em 4:10) mas também do MUNDO todo.

    Na boa, meu querido. Você é o mesmo que vive comentando na página da editora Reflexão quando sai uma obra arminiana se doendo por causa disso. Aconselho a parar de comentar, pois virá muitas obras arminianas por lá. Enfim, Graça e Paz. Acho que não tem mais o que comentar, nem a sua resposta desse meu comentário!

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  2. Bom dia, Mario.
    Parabéns pela refutação, ficou muito boa.

    Só uma questão, será que, ao explicar a "propiciação", não seria igualar ao termo expiação. Pois, as duas, quando vemos na teologia bíblica são diferentes.

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  3. Marlon,

    Pelo que demonstrei na análise, se Spurgeon realmente escreveu isso (não foi colocada referência nenhuma), ele não foi coerente nem com o texto bíblico e nem com o reformadores, no caso Calvino. No entanto, Spurgeon era contra qualquer ideia arminiana, pelo que você pôde ler. Exceto se acha que exista arminiano que concorde com as declarações de Spurgeon que eu coloquei. Se tiver, sejam bem-vindos à doutrina Calvinista.

    Depois, a sua referência que Calvino escreveu isso não confirma. Li o seu comentário em inglês e não há essa declaração em nenhuma parte desses versos citados.

    No entanto, seria muito estranho que Calvino declarasse isso, sendo que ele defende em suas Institutas exatamente a salvação somente da Igreja e dos eleitos interpretando, inclusive, os versos em questão (Institutas Livro III, p. 483).

    Quanto aos versos citados, aconselho-o a ler todo o meu texto ou lê-lo novamente, pois explico sobre isso. No caso de Jo 3.16, o contexto também demonstra que não são todas as pessoas, mas isso necessita de outro texto. Um abraço.

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  4. Denis,

    John Stott, em seu comentário de 1 João e em seu livro "A Cruz de Cristo", demonstra que há uma diferença. Eu concordo com ele. Um depende do outro. Propiciação é "desviar a ira"; já expiação é o que se faz para essa ira ser desviada. Um abraço.

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  5. Luís Felipe Borduam1 de junho de 2015 10:17

    Depois de ler o texto acima é possível chegar a algumas conclusões das quais eu destaco:

    1. Os calvinistas tem mais compromisso com seus pressupostos filosóficos do que com as Escrituras;

    2. O autor cai na mesma falácia que julga refutar;

    3. Os calvinistas de hoje cometem os mesmos erros do passado aplicando "pólvora gramatical ao texto, e o faz explodir a título de explicá-lo."

    Enfim, ainda fico com o relance de sobriedade que acometeu Spurgeon;

    Charles Haddon Spurgeon escreve a respeito da estratégia retórica e falaciosa de muitos calvinistas para forçarem o texto Bíblico ficar de acordo com a filosofia calvinista:

    Análise do Texto de 1 Timóteo 2:3,4:

    "Vocês, muitos de vocês, conhecem bem o método geral pelo qual os nossos velhos amigos calvinistas tratam este texto.

    'Todos os homens', dizem eles - 'isto é, alguns homens', se quisesse dizer alguns homens.

    'Todos os homens", dizem eles; 'isto é, alguns de todos os tipos de homens', se Ele quisesse dizer isso.

    O Espírito Santo, por meio do apóstolo, escreveu 'todos os homens' e, inquestionavelmente, Ele quer dizer todos os homens.

    Sei como descartar a força do termo 'todos', segundo aquele método crítico que há algum tempo era muito corrente, mas não vejo como se pode aplicar isso aqui mantendo a devida consideração pela verdade.

    Há pouco estive lendo a exposição de um habilidoso doutor que explica o texto acabando com ele; ele aplica pólvora gramatical ao texto, e o faz explodir a título de explicá-lo.

    Quando li a sua exposição, pensei que teria sido um comentário de capital importância se o texto dissesse: 'Que não quer que todos os homens se salvem, nem que cheguem ao conhecimento da verdade'.

    Se essa fosse a linguagem inspirada, todas as observações feitas pelo ilustre doutor ser-lhe-iam exatamente fieis, mas como acontece que ela diz, 'Que deseja que todos os homens sejam salvos', as suas observações estão mais de que um pouco fora de lugar."

    Iain Murray, Spurgeon versus Hipercalvinismo. PES. 2006. p. 171,172

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  6. Luiz Felipe,


    Depois de ler seu comentário e suas questões, cheguei a algumas conclusões que vou responder de acordo com as suas questões:

    1. Diante do que eu escrevi e vi em seus comentários, eu penso: ou vocês não sabem ler, ou vocês têm deficiência de entendimento, pois o que apresentei aqui foi a mais pura exegese dos textos citados, coisa que vocês não sabem fazer, e nem sabem o que é, como provei no meu texto.

    2. Parece que você não sabe nem o que é falácia da autoridade, pois se soubesse, não diria isso. Não caí na mesma falácia porque eu demonstrei com exegese e análise dos textos bíblicos, inclusive o texto de 1Tm 2.4. Não me baseei unicamente na autoridade de Calvino ou de quem quer que seja. Você desconhece também que citar um autor não está dentro dessa falácia. Essa falácia acontece quando eu apenas uso a autoridade de qualquer pessoa como argumento sem demonstrar evidências pelos quais aceito aquele autor.

    3. Spurgeon não tem a última palavra; quem a tem é a Palavra de Deus. Como se pode dizer que uma exegese dentro das normas Hermenêuticas é “pólvora gramatical ao texto” se eu demonstrei exegeticamente os motivos que a expressão “todos os homens” pode ser interpretada conforme o contexto dentro das normas de interpretação?

    Na verdade, se Spurgeon interpretou assim, ele partiu para um erro de Hermenêutica e sua interpretação é digna de ser rejeitada, pois demonstrei a falta de coerência com o contexto a partir do verso primeiro. Prefiro ficar com Calvino, pois demonstrei exegeticamente por que ele está coerente em sua interpretação.

    Você que usa tanto Spurgeon, por que não aceita o que ele afirmou sobre o livre-arbítrio, eleição e predestinação? Afinal de contas vocês são tão desonestos a ponto de aceitarem somente algumas interpretações de Spurgeon, mesmo o tendo como base para esse texto?

    Depois, eu entendo você. Você, como os demais arminianos só tem que mostrar interpretações dos outros sem ao menos demonstrar de uma forma exegética se de fato eles estão certos ou muito menos questioná-los. Eu esperava análise textual e exegética para me questionar, pois apresentei-a no meu texto.

    Portanto, diante da Palavra de Deus, se Spurgeon ou até um anjo que descer do céu vier pregar Evangelho além do que os apóstolos pregaram, seja anátema (Gl 1.8-9).


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    1. 1 – “o que apresentei aqui foi a mais pura exegese dos textos citados, coisa que vocês não sabem fazer, e nem sabem o que é, como provei no meu texto”. Além de arrogante, tal atitude, na prática, e ironicamente, assemelha-se à dos gnósticos, pois sugere que somente a exegese calvinista pode-nos levar à verdade!
      2 – É preciso esclarecer que com a expressão “em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade”, Paulo apenas desenvolve o pensamento ao relacionar gradativamente subconjuntos de um conjunto total. Não se trata de restringir o sentido da expressão antecedente “todos os homens”, mas sim de exemplificá-la, conforme o propósito do autor. Logo, é inexistente a delimitação contextual defendida pelo Mário para apoiar a interpretação de 1 Tm 2.4 nos termos que ele expõe.
      3 – Que exegese mais grosseira a que vê a figura de linguagem do exagero na veiculação do pensamento (hipérbole) no texto de 1 Jo 2.2, em que consta a expressão “de todo o mundo”. É certo que, em algumas ocorrências, é nítida e lógica a utilização de hipérbole, como em “toda a nação judaica” de At 10.22. Porém, enxergar tal figura de linguagem em textos onde o contexto imediato não depõe em nada contra a denotação da expressão “de todo o mundo” é inserir um sentido fiel a premissas que não se encontram no texto estudado.
      4 – “Nenhum arminiano se aventuraria a dizer que esse ‘nós temos um advogado perante o Pai’ incluiria incrédulos”. Essa é a explicação do contexto imediato? Esperava mais, mas encontrei uma conclusão contrária ao que o texto expressa e literalmente diz.
      5 – A expressão “a todos quantos Deus chamar” deve ser objeto de exegese primeiramente, e não simplesmente premissa para a exegese dos textos que depõem nitidamente contra os enunciados calvinistas.

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    2. 1. Amado irmão Wesiley, não disse que somente a “exegese calvinista pode nos levar à verdade”, mas uma exegese correta e coerente. A exegese está no texto, apresente a sua de forma coerente, e eu lhe darei toda razão.

      2. Mas a interpretação não restringe nada, pois é exatamente isso que Paulo quer ensinar. Ou seja, o que Paulo falou sobre “todos os homens” quer dizer exatamente isso. Só que o sentido inclui todos no sentido de todas as classes conforme o versos 1 e 2. Portanto, Paulo não restringiu, mas apenas demonstrou que esse todo era para todas as classes. O pronome indefinido precisa de contexto para ser interpretado. Portanto, o verso 4 precisa ser interpretado pelos versos anteriores.

      3. Irmão, você precisa aprender mais sobre as figuras de linguagem. O texto de At 10.22 jamais foi hipérbole, pois o sentido não é nenhum exagero. As vilas eram pequenas e todos os judeus da sua cidade o conheciam, até porque era um centurião romano. O sentido é exatamente que o “todos” se referia a “todos os judeus” da vila de Cornélio e não cada judeu como os arminianos com as suas exegeses grotescas afirmam nesses textos. A palavra “todos”, quando é um pronome adjetivo precisa de um substantivo para designar se é ou não hipérbole. Por exemplo: “nem em todo o mar caberiam as minhas lágrimas”. A palavra “todo” é um pronome adjetivo que está apenas caracterizando a palavra mar e demonstrando que é uma hipérbole pela palavra mar. Diferente dos versos citados. O “todo o mundo” quer dizer todo o mundo mesmo, mas pode completamente cercear esse todo para apenas um grupo de pessoas como o contexto do verso primeiro indica. Como, por exemplo: “todos os jogadores da Seleção Brasileira serão premiados”. Fica claro que precisa de um contexto para interpretar esse “todos”. Seria uma infantilidade interpretar que “todos os jogadores da seleção” incluem do Pelé até agora, mais ainda, quando se afirma que é uma “hipérbole”.

      4. Claro que o verso 1 vem do contexto imediato e do livro, pois João está escrevendo para a igreja e não para incrédulos. Depois, ele os chama de “meus filhinhos” que se refere à igreja e aos crentes. Leia de novo meu texto.

      5. Esse chamado fica claro que é para a salvação. Não existe outro chamado, senão o da salvação e Pedro se refere àqueles que seriam salvos depois de sua pregação.

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  7. Irmão Mario.

    Parabéns pelo seu perfil decoroso e seu caráter resoluto!
    Obrigado pela edificação.

    E não pare de fazer a defesa do Evangelho - Fp. 1: 16

    Um abraço!

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  8. Muito bom o texto e suas respostas nos comentários Mário, bem como seu texto a respeito da interpretação de Lane sobre Romanos 9.

    Você aceita sugestões de temas ?

    Se sim, você poderia abordar a irracionalidade do apelo arminiano a patrística aos pais da igreja antes de agostinho, uma vez que neles não há a depravação total, nem a ideia de livre - arbítrio libertário.

    Ou seja citar os pais anteriores a agostinhos ou concílios posteriores como o de orange para desmerecer a doutrina monergistas, é desmerecer o próprio arminianismo pois eles teriam por paridade lógica que negar a depravação total.

    Outro ponto para se abordar será a desonestidade intelectual arminiana da "Homonímia sutil" para justificar a graça preveninte em agostinho, no qual Armino toma emprestado o termo de Agostinho que ele usou em sua luta contra Pelágio (354-418), em sua obra A Natureza e a Graça, 35.

    Mas Armino somente tomou o termo emprestado mas não o significado de agostinho

    Aonde a regeneração precede a fé.

    Ou seja não há graça preveniente, no sentido atribuído pelos arminianos, mas por haver o termo com outro sentido eles alegam que sim, e usam isso de maneira desonesta.


    Acho que seria um excelente post para mostrar a inconsistência e mentira das argumentações arminianas.

    Abraços.

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  9. Parabéns Mário! Gostei do texto! Que Deus continue a te abençoar!

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